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11 de jul. de 2014

[Resenha] Transcedence - A Revolução

      Como programador e estudante de computação, a proposta temática do filme Transcendence me chamou certa atenção. O trailer não é muito claro quento ao verdadeira proposta do filme, mas a ideia o carregamento de uma consciência humana em um meio cibernético me chamou a atenção então fui ao cinema hoje e me deparei com algo além das minhas expectativas.
      Transcedence é uma história sobre uma equipe de cientistas que procura desenvolver uma inteligência artificial em busca da aproximação da maquina com o homem. De repente, equipes de pesquisa em todos os EUA são assassinados por uma facção terrorista que considera aquela pesquisa uma ameaça a humanidade. O protagonista da história Will Caster (Johnny Deep) é um dos sobreviventes dos ataques e um dos mais avançados nas pesquisas, porém logo descobre que a bala que recebeu também o infectou com plutônio e a radiação o mataria em poucas semanas. Sua esposa e parceira de pesquisa (Rebecca Hall) encontra a solução ao perceber que a consciência de seu marido pode ser carregada num computador. Isso mesmo, como se faz com uma musica ou um filme, o 'upload' de uma mente humana.
      De forma geral, posso dizer que o filme me surpreendeu. Na poltrona do cinema, quando achei que veria mais uma história critica sobre como as pessoas perderam as relações sociais diante de um mundo cibernético, ou mesmo sobre a dependência do homem diante da tecnologia, um Wall-e da vida, Wally Pfister trás uma abordagem totalmente nova diante de questões antes apresentadas apenas aos estudantes da área de computação: Como criar uma inteligência artificial que mais próxima o possível da mente humana? Isto é, capaz de raciocinar, sentir, desenvolver uma moral e uma consciência. A resposta que ainda hoje parece impossível é proposta pelo filme como impossível, porém ao invés de criar, eles resolvem duplicar uma consciência já existente.
      Foi com muito sucesso que Wally Pfister conseguiu aproximar a ficção da realidade, apresentando um filme totalmente lógico e com poucos excessos da ficção científica. De repente, o filme traz avanços tecnológicos de anos de estudo em apenas dois. De desenvolvimento da nanotecnologia para curas de câncer, envelhecimento, membros perdidos e defeitos na morfologia da evolução do homem até algoritmos de reconhecimento e localização de criminosos em tempo real, tudo conceitos utópicos que várias pesquisas realmente tentam buscar, são mostrados no auge de criação. Então você pensa: "Que sem noção criar tudo isso em dois anos.", mas tenho certeza de que o diretor também se preocupou com isso. Ao colocar uma mente humana capaz de pensar criativamente e resolver problemas com a velocidade de processamento do computador, a inteligencia artificial consciente, acreditem quando digo, isso é sim completamente possível. 
      Um trabalho mais a fundo mostrou também o grau de trabalho feito na história, onde a inteligencia criada procura sempre aprimorar-se e expandir-se, com ideias cada vez mais ousadas, mas que colocam em duvida se ela possui mesmo ou não uma moral. Então uma segunda proposta e apresentada, onde a tecnologia busca substituir e melhorar o homem ao invés de ajudá-lo. Conceitos já vistos em Matrix e Exterminador do Futuro são novamente mostrados ao público, mais uma vez sem grandes extrapolações da ficção. Mais uma vez a história é bem trabalhada, sempre em crescimento e com várias características que engancham o filme a realidade.
     Quanto a atuação, Johnny Deep que de início imaginei ser  fraca e pouco emotiva, ao longo do filme percebi que foi totalmente proposital, como modo de transparecer a natureza virtual de sua mente, com o raciocínio lógico e a frieza da máquina substituindo as emoções humanas. Já Rebecca Hall se mostrou uma excelente atriz ao representar o paradoxo de uma mulher cheia de esperanças e fé, mas consciente da realidade e iludida apenas por escolha própria.
     Outro momento que parece ser uma falha na história a primeira vista é retomada como complemento a abordagem é: quando todos ficam subitamente temerosos com as possibilidades da máquina, o medo de que ela venha a dominar o homem surge quase que instantaneamente. Embora os temores pareçam se confirmar ao longo da história, é comentado várias vezes que o homem teme aquilo que não entende. Mais uma vez a abordagem psicológica é feita com empenho e confirmando o mérito dos outros filmes do diretor.
      Com grande excelência o filme traduz entre várias questões, as possibilidades da tecnologia e a preparação do homem para tais avanços. É um filme culto, bastante psicológico, que trabalha muito mais humanidade do que máquina e busca os espectadores a todo instante surpreender a todo instante. É dessa forma um grande sucesso, sem apelações para ganhar o público como os últimos filmes feitos atualmente. A composição de Mychael Danna tem pouco brilho, o que nos faz sentir falta de Hans Zimmer, mas não chega a ser um ponto negativo. Recomendo bastante para todos que quiserem ver uma história trabalhada e se surpreender com ideologias e conceitos velhos sob a nova abordagem. Deixo aqui minhas parabenizações ao toda equipe do longa. Aos que leram esse texto, meus agradecimentos e fiquem bem.

10 de mai. de 2014

Lenda - O Sol e a Lua

        Boa tarde gente! 
     Vim aqui pra postar uma história que eu li a muuuuito tempo e nem lembrava direito mais. Encontrei ela de novo por aqui e é uma das lendas mais bonitas (e deprimentes) que eu conheço. He he Então estou postando aqui pra quem achar interessante.

       Quando o Sol e a Lua se encontraram pela primeira vez, se apaixonaram perdidamente e
a partir daí começaram a viver um grande amor. Acontece que o mundo ainda não existia e no dia que Deus resolveu criá-lo, deu-lhes então toque final ...o brilho !
       Ficou decidido também que o Sol iluminaria o dia e que a Lua iluminaria a noite, sendo assim, seriam obrigados a viverem separados. Abateu-se sobre eles uma grande tristeza quando tomaram conhecimento de que nunca mais se encontrariam. A Lua foi ficando cada vez mais amargurada, mesmo com o brilho que Deus havia lhe dado, ela foi se tornando solitária. O Sol por sua vez havia ganhado um título de nobreza "ASTRO REI", mas isso também não o fez feliz.
       Deus então chamou-os e explicou-lhes: Vocês não devem ficar tristes, ambos agora já possuem um brilho próprio. Você Lua , iluminará as noites frias e quentes, encantará os enamorados. Quanto a você Sol , será o mais importante dos astros, iluminará a terra durante o dia, fornecendo calor aos seres vivos.
       A Lua entristeceu-se muito com seu terrível destino e chorou dias a fio...já o Sol ao vê-la sofrer tanto decidiu que não poderia deixar-se abater pois teria que dar-lhe forças e ajudá-la a aceitar o que havia sido decidido por Deus. No entanto sua preocupação era tão grande que resolveu fazer um pedido a ELE:
      "Senhor, ajude a Lua . Ela é mais frágil do que eu, não suportará a solidão!"
       E Deus em sua imensa bondade criou então as estrelas para fazerem companhia a ela. A Lua sempre que está muito triste recorre as estrelas que fazem de tudo para consolá-la, mas quase sempre não conseguem. Hoje eles vivem assim....separados, o Sol finge que é feliz, a Lua não consegue esconder
sua tristeza.
       O Sol ainda esquenta uma grande paixão pela Lua . Ela, ainda vive na escuridão da saudade.
Dizem que a ordem de Deus era que a Lua deveria ser sempre cheia e luminosa, mas ela
não consegue isso.... porque ela é mulher, e uma mulher tem fases. Quando feliz consegue ser cheia, mas quando infeliz é minguante e quando minguante nem sequer é possível ver o seu brilho.
       Lua  e Sol seguem seu destino, ele solitário, mas forte. Ela acompanhada das estrelas, mas fraca. Humanos tentam a todo instante conquistá-la, como se isso fosse possível. Acontece que Deus decidiu que nenhum amor nesse mundo seria de todo impossível. Nem mesmo o da Lua e o do Sol ... e foi aí então que ele criou o eclipse.
       Hoje Sol e Lua vivem da espera desse instante, desses raros momentos que lhes foram concedidos e que custam tanto a acontecer. Quando você olhar para o céu a partir de agora e ver que o Sol encobriu a Lua é porque ele deitou-se sobre ela e começaram a se amar. É ao ato desse amor que se deu o nome de eclipse.
       O brilho desta paixão é tão grande que é aconselhado não olhar para o céu nesse momento. Seus olhos podem cegar de ver tanto amor.

Autor Desconhecido

Enki
~ Vejam algumas histórias que eu escrevo em http://fanfiction.com.br/u/382422/ ~

3 de mai. de 2013

Das Fabulas de Utopia - Campos Devastados


Existiam as estrelas e elas cantavam o silêncio. Porque o silêncio mórbido e eterno é tudo o que as estrelas cantam. E abaixo delas, desertos de grama, amareladas e secas, se firmavam nas expansões. Limitados pelos mares a leste e as montanhas a oeste, os campos se se estendiam infinitos nas outras direções. Existiam os mares verdes e doces e, quando suas ondas alcançavam as praias de areia dourada, formavam espumas de sabão sobre suas águas, e deixavam seus rastros de pegadas na terra. Existiam as montanhas do outro lado e elas se chacoalhavam para retirar o excesso de neve que a atmosfera insistia em formar para cobri-las. Assim, torrões de sal desciam constantemente as encostas pedregosas das montanhas e impediam qualquer formação vegetal ao redor delas.
Existiam também as fuinhas que sempre se organizavam em fila por quilômetros até o horizonte, e erguiam suas mãos paras estrelas e ficavam balançando-se de um lado para outro, como os morto-vivos balançam de um lado para outro lentamente enquanto andam. Porque as fuinhas adoram as estrelas e gostam do silêncio eterno que elas produzem. Existiam as rosas vermelhas que se alongavam por metros e metros nas alturas a fim de alcançar os céus. Porque todos sabem que as florestas de rosas são apaixonadas pelo Sol e querem roubá-lo de sua dança com a Lua por pura inveja. Existem os cisnes viajantes que voam para o norte toda manhã e voltam pela noite. E existe o Sol e a Lua dançando seu pas de deux a cada ciclo celeste.
E esses são os Campos Devastados, porque devastados eles sempre foram e devastados irão continuar a eternidade. Há quem não acredita na existência de tais campos, uma vez que o universo distorce em seus arredores e o tempo flui inconstante. As plantas empalidecem no inverno e amarelam no outono e completam ciclos vitais a cada dia. As águas dos rios param na terra para que as nuvens avancem rápidas e leves no céu. E os cascalhos do fundo sempre rolam terra acima nas cachoeiras. O som das baleias ecoa por quilômetros sendo carregado constantemente por nada. E os ventos param, tanto quanto as brisas se interrompem. E as estrelas se movem como a canção de aviões silenciosos. E esses são os Campos Devastados.
Um velho ancião acompanhado de um casal de crianças chegou ao vale e, uma vez lá, o ancião sentou com as duas crianças a sua frente e assim declarou. “Tudo que há aqui será de vocês e estará sob seus domínios para que façam o que bem entenderem. Cacem as fuinhas para que tenham a carne para comer e bebam das águas dos rios quando quiserem, pois elas são puras como todo o resto que há nesse lugar. Lavem-se no mar para que o sabão retire os resquícios humanos que contaminariam esse lugar e divirtam-se como quiserem por aqui. Mas nunca cheguem perto dos cisnes, porque a infelicidade os acompanha onde quer que eles queiram ir. Pois estes são os Campos Devastados e aqui a única lei é o equilíbrio.”
Dito isso, o ancião se pôs a meditar e as duas crianças aproveitaram para se divertir. Elas brincaram e brigaram várias vezes até aprender a conviver juntas com o tempo. Elas cresceram e aprenderam a se organizar, dividindo suas tarefas quando era necessário, apesar de que fizessem quase tudo juntas. E juntas cresciam, e juntas se divertiam, e juntas viviam.
Por setes mil ciclos celestes, o ancião meditou e quando finalmente terminou sua meditação encontrou o jovem casal já adulto e amadurecido. Percebendo que aqueles dois já conseguiam cuidar de si mesmos ele deixou os Campos Devastados para seguir seu rumo enquanto o jovem casal percebia a cada dia mais forte a paixão florescer entre eles. Sozinhos e sem precisar se incomodar com a presença o ancião, eles se sentiram livres para viver o amor que possuíam, sem vergonha dos sentimentos, sem medo de errar, sem medo de incomodar a outros.
E em um entardecer qualquer, como o de qualquer outro dia, eles deitaram na grama do vale e olharam para cima a fim de ver os últimos tons do manto vermelho do sol darem lugar a cores mais escuras. “Olhe as estrelas” ele disse para ela “Veja como elas dançam, e brilham, e dançam, correndo em destaque nas sombras da noite.”
“Eu vejo” ela respondeu “vejo como elas caminham solitárias por este céu noturno e tenho pena das estrelas, tenho pena por não terem alguém que as acompanhe, e tenho pena por serem a solidão”.
“Então finja que elas são um sonho. Finja que o mundo é tão simples quanto esse lugar em que vivemos. Finja que não há tristeza ou mágoa e que tudo de ruim terminará como estrelas cadentes que cairão nesse campo para fazermos companhia a elas. Então eu lhe pergunto: há algum outro desejo que você gostaria de realizar agora mesmo?”
“Meu único desejo seria viver ao seu lado como as estrelas caem no céu.”
E naquela noite eles foram o casal mais feliz e realizado que já existiu, pois eles se amavam. E seu amor era tão grande e tão forte que faria estrelas caírem do céu quando assim eles sonhassem. Quando o ciclo celeste recomeçou e o Sol reapareceu, o homem acordou e encontrou um belo e elegante cisne a alguns metros de distância. E ele lembrava que não devia se aproximar dos cisnes, e não lembrava o porquê. E vendo aquele animal negro, tão elegante, tão diferente, tão belo, logo pensou em usar suas penas para fazer algum presente para sua amada. E quis caçar o cisne, como conseguia faze muito bem com qualquer outro animal. E coseguiu, retirando cinco penas das quais pensou em fazer alguma coisa para sua mulher. E ele não sabia que as penas de cisnes continham venenos mortais que se espalham no menor contato, pois os cisnes durante o dia sempre desaparecem no norte e reaparecem quando a noite chega e ele dorme.     Quando a mulher acordou, encontrou seu amado caído como as estrelas, e ele ainda segurava as penas para ela.
E não existia mais os desertos de grama, nem os mares a leste ou as montanhas a oeste. E não existiam mais as fuinhas E não existiam mais florestas de as rosas vermelhas. E não existia mais o Sol e a Lua. E não existia mais nada.
E tudo que existia eram as estrelas, e elas cantavam em silêncio. Porque o silêncio mórbido e eterno é tudo o que as estrelas cantam. Porque esses são os Campos Devastados, e porque devastados eles sempre foram, e porque devastados irão continuar a eternidade.

Enki

30 de abr. de 2013

O Ovo e a Galinha


         Era uma vez uma galinha chamada Delfina. Isso mesmo. Galinha, a grandiosa ave de rapina Gallus gallus domesticus, e seu nome era Delfina. E este é o relato da breve história de vida que tive com ela. Relato, não se engane, pois as palavras que aqui escrevo são tão verídicas quanto eu, você ou Delfina. Pois tudo isso realmente aconteceu alguns anos atrás, embora eu só venha a escrever agora por estar imbuído, neste mesmo momento, de grande saudade da boa companheira quer me foi, Delfina.
         Certa noite, passei na cozinha de minha casa, pois era atormentado pelos piores desejos carnais que o homem já possuiu. Desejo daqueles que embrulha e revira o estomago e nos devora por dentro e não passa. Raramente passa. Na verdade, já era minha quarta ou quinta jornada em direção a cozinha, porque tal desejo, tão insaciável, já me havia acometido horas atrás. E em nenhuma das peripécias anteriores á cozinha resolveu meu problema.
          Primeiro o armário. Vazio. O trágico e infeliz vazio do nada, que assombrou-me naquele momento. Depois a dispensa outra vez. Vazio. Se existe alguma palavra que pode expressar o que um reles humano rente ao se deparar com aquele vazio ela seria Desolação. E, quando as esperanças escorriam como água entre os dedos, veio-me a mente a mais brilhante das ideias. A geladeira.
         Tolo. Por que haveria de haver alguma coisa na geladeira? Nunca nos incontáveis dias de minha vida eu encontrara algo de realmente valioso por lá. Mas tolo mesmo era eu por não ter pensado nela antes, pois, ao abrir as portas, com meu coração a boca, encontrei o maior dos tesouros, aquele que me saciaria todos os desejos mais profundos.
         Havia arroz, e também havia feijão. Aqueles deliciosos pratos de arroz branco e feijão carioca. Contudo nada é completo, nem mesmo a felicidade. E, para a minha desgraça, não havia carne. Em que casa não existe carne? A mesma em que não se encontra quase nenhuma comida.
         Contei o caso para um grande amigo mais tarde e ele compreendeu meu sofrimento. “Intriga-me os motivos de não haver fritado nem um ovo para acompanhá-lo.” Ele comentou. E tudo que respondi foi: “Feliz aqueles que possuem um mísero e único ovo para essas horas, meu caro.”
         No primeiro dia que se seguiu ao trágico evento, ocorreram as compras, e finalmente haveria do que comer em casa. No segundo dia, a noite foi mais feliz e até dormir bem eu pude. No terceiro dia, reencontrei meu amigo pessoalmente e ele, dizendo o quanto ficou tocado com minhas dificuldades, trouxe-me um presente. Muito estranho aquele embrulho de formas retangulares, lembro-me bem até hoje de ficar curioso para saber o que havia ali dentro.
         Rasguei o embrulho e retirei a tampa da caixa para enfim me deparar com uma galinha. Delfina era seu nome. Delfina era ave. Delfina era a Ave. Ave Delfina. “Crie a galinha e sempre terá o ovo para comer, mesmo que o resto lhe falte a mesa.” Exclamou meu amigo. E seguindo seu conselho eu criei a Delfina. Criei, sim senhor, por quase um mês me felicitei com companhia enquanto aproveitava de seus nada menos que deliciosos ovos. Bons dias aqueles, posso dizer.
         Em quatro semanas seguintes ao inicio de nossa convivência, no entanto as compras haviam acabado e os ovos de Delfina eram tudo o que ainda me mantinha nessa vida. Grato sou pela galinha, pois não apenas boa  companheira, ela era também o elixir que me trazia a vida. Mas as criaturas ferozes e ignóbeis que habitam minha casa e a que chamo de família enjoaram dos ovos e quiseram tirar proveito da pobre e doce Delfina que sempre fora tão boa com eles. Assim, assassinaram e devoraram a galinha. Abismado, quando eu descobri a atrocidade canibal e cruel de seus atos, já era tarde demais.
         Era uma vez uma galinha chamada Delfina. Era porque não é mais. E este é o relato da breve história de vida que tive com ela. Breve vida a dela, não se engane, pois em casas de famintos não dura a boa comida. Mas grande é a saudade da boa companheira quer me foi, Delfina.

Enki



Um agradecimento especial para o meu irmão de coração J.P.
 que trouxe as ideias das quais sairam esse conto!
 Obrigado por tudo, cara!

28 de abr. de 2013

Dos Contos de Carceri - O Olho

    Era uma sala cinza. A nauseante sala cinza-ferro que enjoava toda vez que se olhava para as paredes. Um cubo, frio, escuro, geometricamente composto, paredes rústicas e vazias, um quarto vazio, chão, teto e paredes. É o quarto-sala vazio que habito. Carceri.
      Vivo? Não sei. Talvez. Ou não. Não há lembranças de mais nada fora aquelas extensões metálicas. Conheço existências. Sei diferenciar cores e luzes, tenho ideia do que são plantas, sol, ar, mas creio que nunca vi nada disso. Não sei nem se exite algo além do meu ego e dessa sala, pois nunca vi ou ouvi nada. Existe um pedaço da parede que sai a cada tempos.
      A cada tempos porque não sei dizer quanto tempo passa desde que a parede sai da ultima vez até a próxima. A cada tempos por que a contagem deles se torna insignificante perto da eternidade a que vivo assim. E a parede também não abre inteira, nem toda, mas um pequeno retângulo dela que se projeta para fora. Ainda assim ela sai a cada tempos e lá encontro matérias esquisitas e viciosas.Um líquido que me ajuda quando penso ficar tão sólido quanto o ferro que compõe as paredes. Tão seco e áspero quanto a sala cinzenta. E também tem coisas sem gosto que me devolvem as forças até a parede abrir novamente. Que me trazem pensamentos e que me erguem do chão embora sejam insuportavelmente enjoativas.
      E a cada tempos também há um olho. Olho maldito que me observa por mais tempos. Um circulo brilhante que solta fachos fortes de luz, escarlate como sangue, e me impedem de dormir e me observa sem parar. Observa, observa observa e observa. Saiba que também o observo olho. Não tenho força para manter a mesma persistência que você, mas eu o observo e que isso fique bem claro. Do momento em que acordo ao que apago, sei que você me observa e assim eu também o observo. Olho insuportável.
       Grito, berro, deliro e o amaldiçoo, pois não sei o que você é mas sei que me observa. Sei que me escuta, sei que me segue, sei que você sabe o quanto me atormenta, que sabe a loucura a que me imbui. Olho que me observa. Você me vê. Todo, completo, nu você me vê. Tudo que eu sinto, tudo que eu passo, tudo que eu faço, você vê. Vê minha raiva, vê minha ira, vê minha cólera e ri em silêncio pois sabe que tudo isso é por sua culpa. E tudo que eu vejo é você me vendo. Olho do inferno, eu também o observo.
       Observo você me observando, olho maníaco.

Enki

22 de jan. de 2013

Sober Dreams

        Foi quando acordei e olhei para o lado que percebi. Não era a primeira vez que pensava isso e nem será a última, nem aquela vez foi mais especial que as outras, mas foi aquela a vez em que tive certeza de que essa sensação nunca mais me deixaria. A vez em que olhei para o lado e não vi ninguém. Porque não há ninguém. Nunca vai haver ninguém. Ninguém além de mim.
        Foi quando me lembrei das pessoas que são mais importantes para mim. Aqueles que também vao acordar em sua cama e pegar o celular para falar com outras pessoas. Que vão ligar para outras no meio da noite apenas para dizer que pensam nelas. Que vão poder dizer o quanto sentem saudade por não estar com essa pessoa naquele exato momento sem se preocupar em incomodar a outra com tanta atenção. Que vão poder falar qualquer coisa para alguém sem se envergonhar. E que vão acordar amanhã, olhar para o lado, ver outra pessoa e ser muito feliz só por isso.
        Eu me alegro. Em pensar que as pessoas que são tão importantes para mim vão ser tão felizes dessa forma. Alegro por saber que elas não terão esses pensamentos que tenho. Porque ninguém é igual a mim. Eu não posso viver isso. É verdade que não quero, mas não quero por que sei que me faria mal. Sempre machuquei a quem me aproximo demais. E eu também me machuco. Espero ou exijo demais dos outros. Essa não é vida para mim. Não é a vida que mereço por mais que eu a quisesse.
        Nasci para viver sozinho. E isso é fato. Minha natureza imutável. Gosto da minha solidão e me irrito se invadem meu espaço quando não quero. Irrito demais ao ponto de fazer as coisas mais idiotas do mundo. E ficar sofrendo mais ainda em arrependimentos depois. Mas é essa mesma solidão que todo dia me lembra da saudade, essa mesma solidão que detesto quando interrompem. Os silêncios que grintam a verdade em minha cabeça. E os vazios que encaro ao meu redor. Que existem dentro de mim.
        Ainda sou jovem e muitos diriam que isso é apenas uma carência passageira. Não é a primeira vez que penso isso. E nem será a última. Porque esse sou eu. Com a mente sempre a frete do tempo presente. Apesar de novo, na minha cabeça há uma pessoa quase da segunda idade.
        E naquela manhã eu acordei. Mas não queria. Continuei deitado e esperei o sono voltar. Dormi por mais duas horas. Levantei e já era tarde. Tomei o café da manhã. Li. Escutei algumas musicas. Vi alguns filmes. Ainda é verão e estou de férias. Sem muito para me ocupar fora a constante solidão. Ficou de noite. Fui dormir. Para amanhã acordar e olhar para o lado mais uma vez.

Enki

3 de jun. de 2012

Lord Vinheteiro

Iou, povo! As minhas últimas semanas tiveram uma rotina tanto apressada, sendo essa a causa da minha recente ausência. De qualquer forma, que comece o verdadeiro assunto dessa postagem.

Os videos abaixo são do meu pianista favorito. Sob alcunha de Lord Vinheteiro, Fabricio Paolo faz sucesso no youtube desde que começou a colocar videos em que toca musicas conhecidas ao piano ou acordeão. Com certo ar cômico e habilidade inacreditável, ele interpreta várias temas de tv e cinema como se fosse extremamente fácil. Para quem se interessar, recomendo que realmente acessem o blog dele ao final do post. Veja os meus videos preferidos logo abaixo:



Veja mais desse artista no youtube procurando no campo de pesquisas "lord vinheteiro" ou "brasilianmusic"   ou veja seu blog http://www.vinheteiro.com/

5 de abr. de 2012

Literatura Fantástica

     Ieha, povo! Sou um dos novos administradores das Corporações Blossom e me apresento como Enki, sendo esse o pseudonimo a que responderei nesse blog. Fiz uma pequena postagem no facebook e começarei a postar aqui também. Como primeira matéria trago uma sugestão de leitura para os interessados em literatura.


Título: Crônicas de Luz e Sombras Vol.1 – Olam
Autor: L.L. Wurlitzer
Ano de publicação: 2011
País de origem: Brasil
Editora: Agathos – 450 páginas 
     Em 15 de dezembro do ano passado,  OLAM, da série Cronicas de Luz e Sombras, volume 1, entrou nas prateleiras como o mais novo livro de fantasia. O lançamento nacional consegue combinar aventura, mistério, romançe e ficção e assim criar uma história fantástica sob a expectativa de quatro volumes. Ao formular uma trama magistral, o autor paulista L.L.Wurlitzer se iguala a best-sellers como Senhor dos Aneis ou A Batalha do Apocalipse. Enquanto esses trazem a cultura nórdica e judaico-cristã respectivamente, Cronicas de Luz e Sombras tem por base a inusitada mitologia hebraica. 
      Com escrita de alta qualidade, contexto inédito e idéias meticulosas, o escritor fez um trabalho primoroso, de botar inveja em muitos escritores estrangeiros. A série é uma literatura rica e original, que prendo o leitor do início ao fim, sem qualquer segundo de descanso. É sem sombra de duvida um livro imperdível, principalmente para leitores fanáticos da literatura fantástica ou nacional. Este é o resumo que da orelha do livro:


"Em busca de vingança, o líder da mais poderosa classe de guerreiros de Olam, invade uma cidade proibida atrás da cortina de trevas e enfrenta uma terrível criatura. Sua atitude dá início a uma contagem regressiva para a guerra entre o império dos shedins e o reino de Olam. Enquanto nas cidades sombrias os shedins se preparam para a batalha, na principal cidade de Olam, a mais poderosa das pedras shoham, conhecida como “O Olho” está perdendo o seu poder deixando a cidade desguarnecida.
A salvação de Olam pode estar bem longe dali, na distante e atrasada Havilá onde um latash, um misterioso lapidador de pedras shoham conhece o segredo para reativar o Olho. Seu aprendiz, o jovem Ben, apelidado de “o guardião de livros”, ajuda o mestre a transferir o conteúdo dos livros-rolos para uma pedra armazenadora. O trabalho secreto é altamente perigoso, pois há inimigos que desejam roubar o segredo da lapidação capaz de fazer liberar o poder das pedras shoham.
Em uma madrugada, a casa em que eles viviam em Havilá foi incendiada e o mestre do jovem raptado. Mas antes de desaparecer, ele lhe deixou um recado numa pedra sentinela. O recado manda que o guardião de livros vá até Olamir, a principal cidade de Olam e procure por um homem chamado Thamam, para obter informações sobre um misterioso “caminho da iluminação”, que pode reascender o Olho.
Desesperado, e sem entender o que está acontecendo, Ben se lança numa perigosa viagem para Olamir carregando uma pedra shoham que pode ser o segredo para desvendar todos os mistérios do seu caminho. Desde o primeiro momento, percebe que há forças maiores em operação no mundo, e que está no meio de uma teia de enigmas, mistérios e traições; suas escolhas podem significar a salvação ou o fim de uma Era.
À medida que segue o caminho, ele descobrirá um mundo extraordinário, conhecerá cidades impressionantes e se dividirá pelo amor entre duas jovens, uma do passado e outra do presente. Em meio a batalhas épicas, duelos com guerreiros poderosos e combates com as mais terríveis criaturas de seu mundo ele desvendará a razão de estar no centro de todos esses acontecimentos, e isso lhe mostrará que nada era como ele imaginava."
Encontre o prólogo e o primeiro capítulo no sie oficial: http://www.cronicasdeluzesombras.com.br/ ou siga @olamcronicas e leia o livro.

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