31 de mai. de 2014

Nane - Dia 31 - Eu

Acho que depois de tanto tempo
Eu aprendi a amar a mim mesma
Mesmo com todos os erros
E com todos os defeitos.
Depois de tanto tempo
Percebi que não é bom
Colocar os outros sempre
Em primeiro lugar
Assim como também não é bom
Pensar apenas em mim.
Depois de tanto tempo
Descobri que não devo ficar esperando
Que os outros se importe
E que quem tem que se importar
Sou eu mesma.
Depois de tanto tempo
De tantas lágrimas
De tantos sorrisos
Eu me encontrei um pouco
(Pelo menos um pouco)
Sei que o tempo não para
E que mudarei mais
Mas o início para se entender
É buscar se entender.
Depois de tanto tempo
Eu aprendi a amar a mim mesma
E a aproveitar o que é bom
E não me entregar para o que é ruim.
Depois de tanto tempo...
Eu descobri que é maravilhoso
Ser eu mesma.

Niko - Dia 28 - Cirurgia

Fui empurrado, voltava para casa pela calçada
Quando senti alguém me empurrando.
Quem? Não sei. Estava escuro, era noite.
Quando estava me levantando vi luzes.

-Mamãe...
Minha voz estava fraca,
Ela chorava tanto. O que a fazia triste?
O som de uma sirene longe... Tão longe...
Que lugar estranho.
-O que são... Essas coisas...?
Tantos tubos em mim.
-Mamãe, eu vou morrer?
Não vi mais nada.

Sentia um desconforto em mim
Algo mexia em mim... Por dentro...
Abri os olhos.
Tanta gente com máscaras
Um com as mãos dentro de mim.
Sentia meus ossos esbarrarem.

-O que eu tenho?
Minha voz falhava.
Um deles olhou espantado para mim
Uma agulha... Tão grande.
Onde está, mamãe?

Não sentia meu corpo
Por que? O que tinha naquela injeção?
Abri meus olhos de novo.
As mãos do que mexia em mim estavam vermelhas.
A roupa branca com vermelho, muito vermelho.

-Estamos perdendo o garoto.
Eles se agitaram mais.
Eu ia morrer.
Meus olhos estavam pesados.
Não consegui mantê-los abertos.

Pi... Pi...

Piiiiiiiiiiiiiiiiiii.





Agradecimento especial ao Maki.

Niko - Dia 27 - Morte

Andava pela rua
Seguia meu caminho
Uma dama passou por mim
Em um vestido vermelho sangue
E me puxou.

Um beijo frio com gosto de veneno
Um beijo lascivo e destruidor.
Um beijo sugador de vida.
Um beijo para eliminar meus medos, sonhos.

Seu toque frio
Aos poucos sugava minha alma
Acabando com minhas esperanças
E minhas vontades.

Eu não sabia
Mas aquela dama tão nova e tão velha
Era a Morte
E aquela dentre tantas
Foi a maneira que escolhera me matar
Para morrer num belo momento
Num beijo, simples e assassino.

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